O custo do silêncio: quando os riscos não são reportados

Tempo de leitura: 2 minutos

Quando pensamos em ameaças à segurança no trabalho, o que normalmente nos vem primeiro à mente são máquinas defeituosas, produtos químicos perigosos ou procedimentos inseguros. Mas há uma ameaça silenciosa, muitas vezes invisível, que pode ter consequências ainda mais graves: a falta de comunicação.

O verdadeiro risco: que ninguém diga nada

Em demasiadas organizações, os trabalhadores detetam riscos ou situações inseguras… e ficam em silêncio. Fazem-no por medo de represálias, por não quererem apontar um colega, por acharem que não é da sua responsabilidade, ou simplesmente porque pensam que “alguém já deve ter reparado”. Mas quando ninguém fala, os riscos permanecem, repetem-se e, por vezes, acabam em tragédia.

E o pior é que nem sempre se trata de má intenção. Às vezes, o próprio ambiente não favorece a comunicação. Se numa empresa não se escuta ativamente, se se minimizam as preocupações ou se se castigam os erros, a mensagem é clara: “é melhor não dizer nada”.

Como se constrói uma cultura onde se fala?

Uma verdadeira cultura preventiva não se baseia apenas em normas, inspeções ou equipamentos de proteção. Baseia-se, acima de tudo, em relações de confiança. Em fazer com que as pessoas se sintam ouvidas, respeitadas e protegidas quando falam.

Isto implica que os líderes:

  • Escutem sem julgar quando é identificado um possível risco.
  • Respondam com rapidez e deem seguimento a cada alerta.
  • Comuniquem as mudanças resultantes dessas contribuições, para que a equipa veja que a sua voz tem impacto.
  • Substituam a abordagem punitiva por uma de aprendizagem e melhoria.

Um exemplo simples: trocar a pergunta “Quem cometeu este erro?” por “O que podemos fazer para evitar que volte a acontecer?”. Parece uma diferença pequena, mas transforma radicalmente o tipo de conversa que se gera.

O silêncio tem um preço… e toda a organização o paga

Cada vez que alguém vê um risco e não o comunica, perde-se uma oportunidade de prevenção. Cada vez que uma opinião é reprimida por medo, enfraquece-se a cultura de segurança. E cada vez que uma alerta não é tratada, envia-se a mensagem de que não vale a pena falar.

As organizações com melhores resultados em segurança não são as que têm menos incidentes, mas sim as que aprenderam a falar abertamente sobre o que não funciona, a aprender com os erros e a valorizar o conhecimento que surge no terreno.

E tu? Escutas o silêncio?

Na PrevenControl, trabalhamos com empresas que querem quebrar esta dinâmica. Ajudamos a criar ambientes onde reportar é um ato normal, valorizado e protegido. Onde o medo é substituído pela confiança, e onde a conversa é a ferramenta mais poderosa para antecipar e evoluir.

Porque, em segurança e saúde, o silêncio não é neutro: é perigoso.

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