Há uma frase que Tiago Vilas-Boas repete à sua equipa: “nós somos a segunda linha de defesa.” A primeira linha são os líderes operacionais. E se eles não lideram a segurança, nenhum sistema, procedimento ou ferramenta tecnológica vai resolver o problema.
É com esta convicção que abre o episódio 3×01 do Safety Leaders Podcast — o primeiro de uma nova temporada, e uma das conversas mais francas que o podcast já teve sobre o que é realmente difícil na gestão de SST.
Um percurso que não segue o manual
Tiago é licenciado em gestão do desporto. Passou pelo Grupo Auchan, pela BA Glass, por organizações em Espanha e chegou ao Grupo Greengray, onde lidera uma equipa de 14 pessoas (e a crescer) distribuídas por várias empresas com realidades muito distintas.
Este percurso fora do comum dá-lhe uma perspectiva que ele próprio descreve como “particular”: pensar a segurança como se pensa uma equipa desportiva — com estratégia, com envolvimento, com transferência de responsabilidade para quem está no terreno.
O desafio que não muda de sector para sector
Ao longo da conversa, Tiago é directo: os desafios são sempre os mesmos, independentemente da indústria ou do país. A normalização do risco — quando as pessoas convivem anos com determinados perigos e deixam de os percepcionar. A dificuldade em garantir a participação activa dos trabalhadores. E a necessidade de transformar informação dispersa em decisões concretas, em tempo útil.
É precisamente aqui que a tecnologia entra — não como solução mágica, mas como ferramenta que permite finalmente ter todos os dados no mesmo lugar, acessíveis a todas as empresas do grupo, com indicadores que apontam para onde ir e não apenas para onde se esteve.
Segurança como factor competitivo
Uma das ideias mais provocadoras da conversa: a segurança está a tornar-se um factor de atracção de talento. Quando um trabalhador escolhe entre duas empresas, a cultura de segurança começa a pesar. Não é só o salário. É a forma como a organização trata as suas pessoas — e isso diz muito sobre tudo o resto.
Tiago vai mais longe: para ele, a segurança só existe porque existem pessoas. E é por isso que a sua abordagem é sempre a de gestão de recursos humanos, não de cumprimento legal.
O que fica desta conversa
Uma visão estratégica, com os pés no chão — consciente de que a maioria das empresas portuguesas ainda está longe da IA e dos sistemas integrados, e que há um caminho de base que precisa de ser percorrido antes de chegar à cereja no topo do bolo.
Mas também uma convicção clara: as organizações que investem em cultura de segurança não estão a cumprir uma obrigação. Estão a tomar a melhor decisão de gestão que podem tomar.
🎧 Ouça o episódio completo do Safety Leaders Podcast.


