E se o zero não fosse o objetivo? Redefinindo a excelência na segurança no trabalho

Tempo de leitura: 2 minutos

Durante anos, o conceito de Zero Acidentes tem sido um emblema na segurança no trabalho. Nasceu como uma filosofia ambiciosa, orientada para promover uma cultura de excelência, sem danos nem incidentes. Mas algo se distorceu.

Hoje, o objetivo de zero acidentes tornou-se, em muitos casos, num simples objetivo numérico. Mais um KPI. E quando é perseguido como um número a alcançar — e não como uma forma de pensar — surgem consequências indesejadas: manipulação de dados, pressão para não reportar incidentes, medo do erro. Perde-se o foco no que realmente importa: aprender, melhorar, proteger.

O dilema de abandonar o “zero”

Agora, se rejeitamos a ideia de “zero”, então o que aceitamos? Que certo nível de dano é tolerável? Que 99% de segurança é suficiente?

Gregory Milewski, veterano especialista em cultura preventiva, propõe uma reflexão poderosa: se o 1% restante significa 12 bebés entregues aos pais errados todos os dias, 107 operações médicas mal executadas ou mais de 100.000 voos com vítimas mortais por ano… então 99% não é suficiente.

Então, que alternativa temos?

A busca assintótica pela excelência

A excelência não é um número, é uma direção. É uma abordagem. Uma mentalidade de melhoria contínua, de aprendizagem constante. Não se trata de alcançar a perfeição — porque a perfeição é uma assíntota: um ideal que se pode tocar, mas nunca abraçar. Trata-se de nos aproximarmos dela, dia após dia, com humildade e disciplina.

Por isso, mais do que perseguir um número, deveríamos adotar uma mentalidade: a busca persistente por não causar dano. Não como um lema vazio, mas como um propósito vivo. Não como mais um cartaz na parede, mas como uma forma de trabalhar e de pensar.

Como se traduz isto na prática?

  • Em cada tarefa, perguntamo-nos: como evitar qualquer dano, mesmo que mínimo?
  • Quando ocorre um erro, não se oculta: analisa-se, aprende-se, melhora-se.
  • Os sistemas são concebidos com margens amplas e capacidade de adaptação.
  • Os comportamentos alinham-se com a excelência, não com o medo da punição.

Esta mentalidade — aplicada com coerência — tem um efeito cumulativo surpreendente: dias, semanas, até anos sem incidentes, sem necessidade de obsessão com o “zero”.

Mudemos o foco

Se o Objetivo Zero foi distorcido, talvez seja altura de o reformular. Não como objetivo, mas como inspiração. Não como número, mas como compromisso ético.

Na PrevenControl, acreditamos que esta perspetiva não é apenas mais humana, mas também mais eficaz. Porque transforma a segurança numa prática viva, e não numa checklist estéril.

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