Como melhorar o desempenho humano em segurança: ferramentas-chave para prevenir erros

Tempo de leitura: 3 minutos

Os erros humanos são inevitáveis, mas o seu impacto na segurança no trabalho pode ser minimizado com as ferramentas adequadas. Um estudo sobre o desempenho humano em segurança demonstra que 80% dos incidentes no trabalho estão relacionados com falhas humanas, muitas vezes provocadas por fragilidades organizacionais e condições laborais inadequadas. Então, como podem os responsáveis pela segurança e saúde no trabalho prevenir esses erros e reduzir os incidentes?

O desafio dos erros humanos na segurança

A maioria dos acidentes não ocorre devido a um único erro, mas sim por uma acumulação de fatores que incluem falhas na organização, procedimentos pouco claros, pressão no trabalho e falta de formação. Neste contexto, as ferramentas de desempenho humano oferecem uma abordagem prática para melhorar a segurança e reduzir a probabilidade de erros críticos.

Os responsáveis pela segurança e saúde devem compreender que os erros não são apenas responsabilidade do trabalhador, mas são influenciados por múltiplos fatores, como a carga de trabalho, a pressão da produção, a falta de recursos e a fadiga. A gestão destes fatores é fundamental para uma prevenção eficaz.

Ferramentas-chave para a melhoria do desempenho humano em segurança

1.- Autoavaliação e verificação pessoal (S-T-A-R)

  • Stop (Parar): Antes de executar uma tarefa, fazer uma pausa para refletir.
  • Think (Pensar): Avaliar a ação a tomar e as suas possíveis consequências.
  • Act (Agir): Executar a tarefa com atenção plena.
  • Review (Rever): Confirmar que o resultado corresponde ao esperado.

Esta ferramenta ajuda os trabalhadores a evitar erros por descuido e a manter-se alerta em tarefas repetitivas. A sua implementação na rotina diária pode reduzir significativamente incidentes menores que, acumulados, poderiam resultar em ocorrências graves.

2.- Revisão da área de trabalho antes de iniciar

Um minuto antes de começar uma tarefa pode fazer toda a diferença. Uma rápida inspeção ao ambiente permite identificar perigos inesperados, verificar condições de segurança e ajustar medidas preventivas.

É, especialmente, aplicável em ambientes dinâmicos ou onde as condições podem mudar rapidamente, como na construção civil ou na indústria química.

3.- Parar em caso de dúvida e pedir ajuda

Fomentar uma cultura onde os trabalhadores se sintam seguros para parar e perguntar quando não sabem como proceder.

Ideal para tarefas críticas ou situações desconhecidas, onde a improvisação pode gerar riscos. Para tal, a empresa deve promover uma liderança aberta, onde a consulta de dúvidas não seja penalizada.

4.- Atitude de questionamento

Ensinar os colaboradores a não assumir que “está tudo bem” e a questionar informações, procedimentos ou condições que não pareçam corretos.

Previne erros causados por suposições incorretas e pela falta de verificação. Implementar exercícios de simulação onde os trabalhadores possam praticar esta atitude ajuda a reforçar a sua importância.

5.- Identificação de passos críticos

Determinar que ações dentro de uma tarefa podem gerar consequências graves se realizadas incorretamente e tratá-las com atenção redobrada.

Aplica-se a tarefas de alto risco, como trabalhos em altura, manuseamento de substâncias perigosas ou manutenção de equipamentos críticos. Ter listas de verificação específicas pode ser uma excelente ferramenta de apoio.

6.- Verificação e comunicação em três passos

Um método simples mas eficaz: o emissor da mensagem comunica-a, o recetor repete-a, e o emissor confirma que foi corretamente entendida.

Reduz erros de comunicação, especialmente em operações onde a precisão é crucial. A sua aplicação é essencial em indústrias como a aeronáutica, a nuclear e a da saúde.

Implementação eficaz destas ferramentas

Para que estas ferramentas sejam eficazes, é fundamental que as empresas:

  • Formem continuamente os seus colaboradores: Não basta uma formação inicial, devem ser realizadas sessões periódicas com exemplos práticos e casos reais.
  • Promovam uma cultura de segurança: Criar um ambiente onde os trabalhadores se sintam confortáveis a aplicar estas estratégias sem medo de represálias.
  • Assegurem o compromisso da liderança: Os supervisores devem dar o exemplo e reforçar a aplicação destas ferramentas no dia a dia.
  • Utilizem tecnologia para apoiar a gestão da segurança: Aplicações móveis, sensores e sistemas de alerta podem ajudar a detetar e corrigir erros em tempo real.

Casos de sucesso

Algumas organizações implementaram com sucesso estas ferramentas e reduziram significativamente as suas taxas de incidentes. Um exemplo é uma fábrica de produção que adotou a autoavaliação S-T-A-R nos seus processos críticos, conseguindo uma diminuição de 40% nos erros humanos em apenas um ano. Outro caso é o de uma empresa de energia que implementou revisões da área de trabalho antes de cada turno, reduzindo os incidentes de segurança em 35%.

Conclusão

A segurança no trabalho não depende apenas do cumprimento de normas, mas de como se aplicam as ferramentas que permitem reduzir o impacto do erro humano. Ao implementar estratégias como a autoavaliação, a pausa perante a dúvida e a comunicação eficaz, os responsáveis pela segurança podem fortalecer a prevenção de acidentes e melhorar a cultura de segurança nas suas organizações.

Adotar uma abordagem proativa baseada nestas ferramentas pode fazer a diferença entre um ambiente laboral seguro e um propenso a incidentes.

Está pronto para integrá-las na sua estratégia de segurança?

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