Fazer mais nem sempre é fazer melhor.
No universo da segurança e saúde no trabalho, muitas organizações acumulam procedimentos, checklists e atividades que… não ajudam. Executam-se para cumprir, para auditar, para mostrar — mas não protegem realmente ninguém.
A este fenómeno chama-se Safety Clutter, ou “tralha de segurança”.
O que é Safety Clutter?
Segundo investigadores como David Provan, Erik Hollnagel e Drew Rae, trata-se de:
“A acumulação de documentos, funções, atividades e protocolos realizados em nome da segurança, mas que não contribuem efetivamente para a melhorar.”
Como se gera?
Três mecanismos principais:
- Duplicação: atividades repetidas por diferentes áreas ou níveis (ex.: formações redundantes).
- Generalização: aplicar as mesmas regras a todos, independentemente da função ou risco.
- Especificação excessiva: tentar controlar tudo via documentação, matando a adaptabilidade.
Quais as consequências?
- Enfraquecimento do compromisso com a segurança
- Dados irreais e decisões baseadas em suposições
- Perda de credibilidade e tempo
- Recursos desviados de atividades de real valor
Como eliminar o Safety Clutter?
Aplica as 3C:
- Contribuição: A atividade melhora claramente a segurança?
- Confiança: Há evidência de que gera valor?
- Consenso: Existe acordo para a eliminar ou manter?
O que se ganha?
- Mais foco nas ações que realmente protegem
- Um sistema de gestão mais leve e eficaz
- Equipas mais envolvidas e menos frustradas
- Uma cultura preventiva mais realista e humana
Conclusão
Este episódio é um convite à reflexão. Estás a investir recursos no que realmente importa? Ou estás preso à tralha da segurança?
Se te identificaste com o tema, ou queres ajuda para analisar o teu sistema de gestão, contacta-nos. A mudança começa com uma pergunta: Isto acrescenta valor?
Ouve agora o SL S01E26 – Safety Clutter: como saber se os nossos esforços em segurança são realmente eficazes.


