Quando o líder não acredita na sua equipa (e vice-versa): uma barreira invisível para a segurança

Tempo de leitura: 2 minutos

Porque é que em muitas organizações continuam a ocultar incidentes de segurança, apesar dos esforços para promover uma cultura preventiva? Uma nova investigação realizada com mais de 11.000 pessoas da Marinha dos EUA oferece uma possível explicação: a qualidade da relação entre líderes e subordinados afeta diretamente o modo, o momento e a frequência com que os problemas de segurança são comunicados.

Na PrevenControl, há anos que ajudamos organizações a fortalecer a sua cultura de segurança. Sabemos que fatores como a confiança, o conhecimento da liderança ou a capacidade de escuta ativa influenciam o envolvimento dos trabalhadores. Este estudo confirma-o — e vai mais longe: mostra que a forma como um líder vê a sua equipa, e vice-versa, pode alterar completamente a realidade da comunicação em segurança.

O que foi investigado?

O estudo explorou como as ideias recíprocas entre líderes e trabalhadores influenciam três tipos de comunicação sobre segurança:

  • Subnotificações: incidentes que nunca chegam a ser comunicados.
  • Quase-acidentes (near misses): situações que não causaram danos, mas estiveram muito perto disso.
  • Relatórios formais de incidentes: aqueles que são oficialmente registados.

E fê-lo num contexto complexo como o da Marinha norte-americana, onde coexistem hierarquias rígidas, elevado risco operacional e grande diversidade de perfis.

Principais conclusões

As ideias negativas mútuas aumentam os problemas de segurança
Quando, tanto líderes como trabalhadores tinham visões negativas uns dos outros, aumentavam significativamente as subnotificações e, em menor grau, os quase-acidentes.

A subnotificação é a mais afetada por estas ideias
A relação entre perceções e ocultação de incidentes foi muito mais forte do que com os quase-acidentes ou os incidentes formalmente reportados.

A perceção do líder tem mais peso do que a do subordinado
Embora a perceção mútua seja bidirecional, o estudo detetou que a forma como um líder vê a sua equipa tem maior impacto no clima de segurança do que o inverso. Quando os líderes valorizavam positivamente as suas equipas, os níveis de reporte aproximavam-se mais do esperado.

Os acidentes reais são os menos influenciados por estas perceções
Embora exista algum impacto, os dados mostram que o que mais se altera são os canais de comunicação sobre segurança — sobretudo os não formais.

Que implicação tem isto para as organizações?

Este estudo reforça algo que muitos especialistas em cultura preventiva já calculavam: a segurança não depende apenas de normas e procedimentos, mas também das relações humanas e da perceção mútua. Em particular:

  • As pessoas não comunicam livremente se não sentirem que serão ouvidas sem consequências negativas.
  • Os líderes que não confiam nas suas equipas — ou que não o demonstram — criam ambientes onde tende a esconder informação.
  • As vias informais de comunicação podem ser tão importantes quanto os canais oficiais.

Em números, investigações anteriores citadas no artigo indicam que entre 60% e 80% dos incidentes poderão não estar a ser reportados, e que até 30% dos marinheiros poderão ocultar informação conscientemente.

Recomendações práticas

Na PrevenControl, sugerimos adotar as seguintes ações concretas:

  • Avaliar o clima de relações entre líderes e equipas de trabalho, e não apenas o cumprimento normativo.
  • Formar os quadros intermédios em competências relacionais e escuta ativa.
  • Criar múltiplos canais de reporte, incluindo opções informais ou anónimas.
  • Monitorizar não só os indicadores de resultado, mas também os de comunicação e cultura.

Conclusão

A cultura preventiva não se impõe: constrói-se através da relação humana. Este estudo é um alerta para rever não apenas o que comunicamos sobre segurança, mas também como nos vemos e como somos vistos nos ambientes de trabalho.Porque, como demonstra a evidência, a perceção também pode prevenir acidentes.

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