Observações comportamentais: uma espada de dois gum para a segurança no trabalho?

Tempo de leitura: 2 minutos

Num recente artigo intitulado “Behavioral Observations: A Double-Edged Sword for Workplace Safety?”, o psicólogo organizacional Clive Lloyd — reconhecido pelo seu trabalho em liderança em segurança e cultura organizacional — analisa com clareza as luzes e sombras de uma das práticas mais difundidas na gestão preventiva: as observações comportamentais.

Durante décadas, esta ferramenta tem sido utilizada em setores de alto risco como uma forma rápida e visível de intervir sobre comportamentos inseguros. No entanto, tal como Lloyd sublinha, a sua aplicação pode gerar efeitos contraproducentes se não for contextualizada dentro de uma estratégia sistémica e inclusiva de segurança e saúde.

Benefícios percebidos: porque continuam a ser populares

Lloyd identifica vários motivos pelos quais muitas organizações continuam a confiar nas observações comportamentais:

  • Ação imediata e visibilidade: oferecem uma forma tangível de “fazer algo” pela segurança.
  • Sensibilização e participação: quando aplicadas entre colegas, podem abrir conversas preventivas.
  • Detetar condutas de risco: permitem atuar sobre comportamentos observáveis e recorrentes.
  • Sinal cultural: comunicam que “a segurança importa”, ainda que por vezes mais na forma do que no conteúdo.
  • Enquadramento em modelos hierárquicos: alinham-se com abordagens tradicionais de controlo e cumprimento.
  • Etapa prévia a melhorias sistémicas: em alguns casos, servem de porta de entrada a análises mais complexas.

Riscos e efeitos secundários: o que muitas vezes é ignorado

Contudo, Lloyd alerta para múltiplos riscos associados a uma utilização acrítica desta ferramenta, entre eles:

  • Culpar o indivíduo e descurar as condições do sistema.
  • Reducionismo: simplificar a segurança a listas de atos “seguros ou inseguros”.
  • Perda de confiança e deterioração da segurança psicológica.
  • Distorção do comportamento pelo efeito Hawthorne.
  • Subjetividade e enviesamentos na interpretação de condutas.
  • Desconexão com o trabalho real e as adaptações necessárias para operar com segurança.
  • Elevado custo de implementação, com possíveis retornos decrescentes.
  • Falsa sensação de segurança baseada em métricas que não refletem os riscos reais.
  • Manipulação do sistema para cumprir KPIs sem gerar valor real.
  • Falta de equidade, ao centrar-se quase exclusivamente na atuação do pessoal operativo.

Da conduta ao sistema: uma evolução necessária

As reflexões de Clive Lloyd enquadram-se perfeitamente nos princípios da abordagem Human and Organizational Performance (HOP), que coloca o foco não no erro humano, mas nas condições em que o trabalho é realizado. A partir do HOP promove-se uma visão mais madura e eficaz da segurança:

  • Entendendo que o erro é normal e que nem todo o comportamento “desviado” é irresponsável.
  • Analisando as pressões, limitações e adaptações reais do trabalho diário.
  • Investindo em melhorias sistémicas (design, organização, liderança) antes de controlar a conduta.
  • Promovendo uma cultura justa, baseada na confiança e na aprendizagem contínua.

E agora?

Na PrevenControl acreditamos que as observações comportamentais podem ser úteis, mas apenas se forem integradas numa estratégia global que inclua:

  • Uma compreensão profunda do trabalho tal como é realizado (Work-as-Done).
  • Escuta ativa e participação real das equipas.
  • Estruturação da informação com um software como o Smart OSH.
  • Análise dos fatores organizacionais, técnicos e culturais que condicionam a segurança.
  • Liderança preventiva que inspire, e não apenas vigie.

A segurança não melhora apenas por observar condutas, mas por compreender os sistemas, construir confiança e aprender com a realidade operacional.

Se deseja avançar para uma abordagem de segurança mais humana, organizacional e sustentável, a equipa da PrevenControl pode ajudá-lo. Escreva-nos e começamos a conversa.

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