Boas práticas HOP: Como a ICL transformou o medo e a disciplina em confiança e aprendizagem

Tempo de leitura: 3 minutos

Na PrevenControl temos vindo a falar da importância de evoluir a nossa Cultura de Segurança através dos princípios do Human & Organizational Performance (HOP). Hoje queremos partilhar um caso de sucesso real que demonstra o enorme impacto de substituir uma abordagem punitiva por outra baseada na aprendizagem: o caso da empresa ICL e das suas fábricas de Lawrence e Carondelet.

O ponto de partida: manutenção reativa e medo de reportar

Antes de implementar a filosofia HOP, as fábricas da ICL enfrentavam graves problemas operacionais e de segurança, especialmente na área da manutenção. A sua abordagem era completamente reativa: sempre que ocorria um dano num equipamento ou uma violação das regras, a resposta automática consistia em iniciar uma investigação centrada na procura de culpados para os repreender e punir.

O procedimento padrão consistia na realização de investigações fechadas e burocráticas, reunindo “especialistas” durante três horas numa sala de reuniões para tentar resolver o problema de forma isolada.

Qual foi a consequência desta abordagem tradicional? O medo. Os trabalhadores tinham um receio justificado de reportar “quase acidentes” ou anomalias. O pensamento habitual era: “Devo dizer alguma coisa? É melhor não dizer nada, não quero que ninguém tenha problemas.” O resultado foi uma alarmante falta de registo: a empresa registava, em média, apenas cerca de 6 relatórios por ano, limitados exclusivamente a eventos catastróficos que não podiam ser ocultados.

A solução HOP: capacitação e aprendizagem

Para inverter esta situação, a ICL decidiu apostar na filosofia HOP, compreendendo que os trabalhadores não são o problema a corrigir, mas sim os verdadeiros solucionadores de problemas. Foram implementadas três mudanças disruptivas:

1. O compromisso da direção (substituição da disciplina)

A liderança da ICL deu um passo corajoso ao comprometer-se formalmente a não aplicar medidas disciplinares por incidentes de segurança sem antes realizar uma Equipa de Aprendizagem (Learning Team). A direção compreendeu que muitos incidentes eram causados por defesas frágeis do sistema e não por má intenção dos trabalhadores. Ao eliminar a ameaça imediata da punição, abriu-se caminho para a confiança.

2. Implementação do “Field HOP”

As reuniões formais, fechadas e burocráticas foram substituídas por uma ferramenta direta denominada Field HOP. Trata-se de uma folha de campo onde os próprios trabalhadores registam as suas preocupações antes de iniciar a tarefa (pre-job) e as aprendizagens obtidas após a sua conclusão (post-job). Desta forma, a aprendizagem passou a estar nas mãos de quem realmente executa o trabalho diariamente.

3. Abandono do objetivo de “Zero Acidentes”

A organização decidiu deixar para trás a obsessão pela métrica de “zero acidentes”, que muitas vezes apenas incentiva a ocultação de ocorrências. Em vez disso, passou a medir indicadores proativos (Leading Indicators) que acrescentam verdadeiro valor ao sistema, focando-se em ações como a avaliação ergonômica, a formação prática e o envolvimento contínuo dos trabalhadores.

Resultados: quando a confiança impulsiona a produtividade

Os resultados alcançados após a adoção do HOP na ICL foram claros, demonstrando que esta filosofia vai muito além da Segurança e Saúde no Trabalho e tem um impacto direto na excelência operacional.

  • Explosão da confiança e da comunicação de ocorrências: ao eliminar o medo, os relatórios de incidentes, observações e quase acidentes passaram de uma média de apenas 6 por ano para 558 relatórios em toda a América. Os trabalhadores compreenderam finalmente que o objetivo não era apontar culpados, mas sim resolver os problemas.
  • Melhoria significativa dos indicadores operacionais: a fábrica alcançou melhorias expressivas no seu desempenho. O tempo de paragem não programada reduziu-se de 2,7% para 1,2%.
  • Maior eficiência: o cumprimento do plano de trabalho aumentou de 90% para 93%, enquanto as horas extraordinárias de manutenção diminuíram de 6% para 4%.

Este caso demonstra que, quando deixamos de procurar culpados e começamos a criar organizações orientadas para a aprendizagem — compreendendo tanto o trabalho que falha como o trabalho realizado diariamente com sucesso — os resultados podem ser extraordinários.

Está preparado para dar o próximo passo rumo a uma cultura de aprendizagem contínua e confiança na sua organização? Na PrevenControl podemos ajudá-lo a implementar metodologias como as Equipas de Aprendizagem e o HOP com sucesso. Contacte-nos!

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