O efeito “janela partida” e a liderança em segurança: quando o exemplo muda tudo

Tempo de leitura: 2 minutos

Na década de 80, os criminologistas James Q. Wilson e George L. Kelling apresentaram a teoria das “janelas partidas”. Segundo esta teoria, se uma janela se parte num edifício e ninguém a arranja, em pouco tempo haverá muitas mais. Não porque o vidro seja frágil, mas porque aquele pequeno sinal de abandono transmite uma mensagem poderosa: “aqui ninguém cuida, aqui vale tudo”.

Essa sensação de permissividade pode transformar-se num terreno fértil para o desleixo, o incumprimento e, por fim, para o dano. E embora esta teoria tenha surgido no contexto da criminologia urbana, a sua aplicação à segurança e saúde no trabalho é profunda e reveladora.

Porque também há janelas partidas na segurança

Uma escada sem sinalização. Um extintor tapado por caixas. Um derrame que ninguém limpa. Um aviso ignorado.
E, sobretudo, um líder que quebra uma regra “só por um instante” ou “porque ninguém está a ver”.

Cada um destes gestos — por mais pequenos que pareçam — são fissuras na cultura preventiva. São janelas partidas.

E quando essas janelas não são reparadas — quando ninguém atua, quando se tornam normais —, a mensagem que se instala na organização é exatamente a mesma descrita por Wilson e Kelling:

“Aqui não acontece nada. Aqui vale tudo.”

O verdadeiro papel do líder em segurança

A liderança em segurança não se exerce apenas com discursos ou PowerPoints.
Exerce-se no terreno. No dia-a-dia. Nas pequenas decisões que parecem invisíveis, mas têm um enorme peso simbólico.

Porque as equipas observam.
Mais do que ouvir o que você diz, vão reparar no que você faz.

  • Se o líder não usa capacete, porque é que eu haveria de o usar?
  • Se ignora uma regra porque “estamos com pressa”, que valor tem essa regra?
  • Se reage com indiferença perante um ato inseguro, será que a segurança importa mesmo?

Um único gesto incoerente pode partir muitas janelas de uma só vez.
Pode deitar por terra meses de esforço.
Pode semear a dúvida e o desânimo numa equipa que precisa de confiança e consistência.

Reparar janelas, construir cultura

A boa notícia? Também podemos reparar essas janelas.
E não é preciso nada grandioso. Às vezes, basta parar por um momento. Cumprir uma regra mesmo que ninguém esteja a ver. Agradecer a alguém que fez o certo. Corrigir um comportamento inseguro com respeito, mas com firmeza.

Quando um líder age com coerência, está a restaurar o valor das regras. Está a dizer:

“Isto é importante. É assim que trabalhamos aqui.”
Está a construir cultura.

E a cultura de segurança não se impõe — contagia-se.

Contagia-se com o exemplo. Com essa forma de estar presente, de ser coerente, de assumir que liderar em segurança não é uma questão de hierarquia, mas de responsabilidade. De convicção.

Conclusão

As “janelas partidas” na segurança não são apenas falhas materiais — são sinais que distinguem uma cultura de cumprimento de uma cultura de “sempre foi assim”.

Os líderes têm o poder — e o dever — de impedir que essas fissuras se transformem em rotinas perigosas.
Porque cada vez que um líder quebra uma regra, está a autorizar os outros a fazerem o mesmo.
Mas cada vez que a cumpre, mesmo sem ninguém ver, está a educar. Está a liderar. Está a cuidar.

E é isso que significa liderar em segurança: escolher, todos os dias, entre partir uma janela… ou repará-la.

Quer melhorar a liderança em segurança dos responsáveis da sua organização? Fale connosco. Podemos ajudar.

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