Medimos o que realmente importa em segurança e saúde no trabalho?

Tempo de leitura: 2 minutos

A forma como medimos o desempenho condiciona a maneira como atuamos. Esta ideia simples, mas poderosa, está no cerne do pensamento de Donella Meadows, autora do influente relatório Indicators and Information Systems for Sustainable Development. Embora o seu trabalho se tenha centrado no desenvolvimento sustentável, as suas ideias são surpreendentemente aplicáveis ao domínio da segurança e saúde no trabalho.

Medir é escolher. E escolher é priorizar.

Medir é uma ação carregada de intenções. Não existe indicador neutro: medimos o que valorizamos… e, com o tempo, acabamos por valorizar o que medimos. Num ambiente de trabalho, se apenas medimos acidentes, transmitimos a mensagem implícita de que o objetivo é “não ter acidentes”, e não necessariamente trabalhar de forma segura. Porém, se medimos a participação em observações preventivas, a qualidade das informações sobre segurança ou o nível de confiança entre colegas, estamos a reforçar uma cultura mais profunda e preventiva.

O risco de indicadores mal concebidos

Como alertava Meadows, indicadores mal escolhidos podem gerar disfunções graves. Se um programa de inspeções medir apenas o número de visitas realizadas, pode incentivar a quantidade em detrimento da qualidade. Se medimos apenas o cumprimento normativo, podemos esquecer aspetos culturais, organizacionais ou emocionais que também determinam a segurança.

O que precisamos de medir para avançar rumo a uma cultura preventiva madura?

A resposta não é simples. No seu relatório, Meadows propõe uma abordagem sistémica, hierarquizada e participativa. Algumas aprendizagens essenciais que podemos transpor para a prevenção de riscos profissionais são:

  • Ir além dos dados de resultado: incorporar indicadores de esforço, de aprendizagem, de diálogo e de melhoria.
  • Conceber sistemas de informação coerentes: onde os indicadores respondam a um propósito claro e estejam alinhados desde os níveis operacionais até aos estratégicos.
  • Incluir as pessoas no desenho dos indicadores: trabalhadores, chefias e técnicos devem participar na definição do que merece ser observado.
  • Aceitar que indicadores perfeitos não existem: o importante não é ter “os melhores”, mas sim que o sistema de informação nos ajude a aprender e a evoluir.

O que está a medir na sua organização? O que realmente importa… ou o que é fácil de ter em conta?

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