O que não é medido, não é melhorado. Mas se medirmos mal, também não melhoramos.
Neste episódio do Safety Leaders Podcast, exploramos como medir a gestão da segurança para além do tradicional “número de acidentes” e “dias perdidos”.
O problema dos indicadores atrasados
A maioria das organizações mede muito bem as consequências: acidentes, baixas, custos. Mas pouco o caminho que leva (ou impede) que isso aconteça. São indicadores necessários, mas tardios. São o “espelho retrovisor” da prevenção.
Três tipos de indicadores
- Resultado: consequências das falhas (acidentes, custos)
- Atividade: o que fazemos (formações, inspeções, observações)
- Desempenho: como fazemos (qualidade da formação, mudanças de comportamento, melhorias implementadas)
É neste terceiro grupo que reside a mudança de paradigma.
Exemplo prático: ergonomia em armazéns
Quer reduzir lesões músculo-esqueléticas?
Defina um objetivo claro e mensurável (por exemplo, 15% em 12 meses, numa zona específica).
A partir daí:
- Reveja procedimentos de trabalho
- Invista em equipamentos
- Forme as pessoas
- Acompanhe no terreno
E meça também:
- % de trabalhadores envolvidos na criação dos novos procedimentos
- N.º de melhorias detetadas e implementadas após passeios de segurança
Efeito IKEA:
Quando participas na construção de algo, aplicas melhor. Por isso, envolvimento é indicador.
Passeios de segurança: medir mais do que quantidade
Não basta contar quantos passeios se fizeram, mas sim quantas melhorias foram detetadas e quantas foram implementadas. Aí estás a medir desempenho real, não só atividade.
Menos é mais: escolha os indicadores essenciais
Uma empresa ferroviária reduziu os seus indicadores de 25 para 5 com o método Delphi. Resultado: mais clareza, mais foco e mais eficácia. Porque os indicadores são também comunicação. Dizem às pessoas o que é importante.
Conclusão:
Medir a gestão da segurança não é uma questão técnica. É cultura. E cultura constrói-se com indicadores que orientam a ação e dão sentido ao trabalho diário.
Ouça o episódio e partilhe-o com a sua equipa. Pergunte: os nossos indicadores ajudam-nos a melhorar… ou só a reportar?


