E se a testemunha for a chave? A empatia na formação com Realidade Virtual

Tempo de leitura: 2 minutos

Até agora, a maioria das experiências de Realidade Virtual (RV) em segurança e saúde no trabalho tem-se centrado no “vivido na primeira pessoa”. O objetivo costumava ser que o trabalhador vivesse o acidente “na sua própria pele” para gerar um impacto emocional. No entanto, um estudo recente publicado na Safety Science (2025) por Jeffrey C.F. Ho e Ali Lai Lai Wong propõe uma alternativa fascinante: o poder de ser testemunha.

O risco da dessensibilização

O estudo alerta para um efeito secundário pouco explorado: a dessensibilização. Quando um utilizador experimenta repetidamente acidentes num ambiente virtual onde sabe que não pode sofrer danos reais, existe o risco de acabar por normalizar o perigo ou subestimar as consequências no mundo físico.

Para evitar isto, os investigadores propõem uma mudança de abordagem: passar do “aconteceu-me a mim” para o “aconteceu a um colega”.

A chave: Empatia e ligação social

A investigação analisou como presenciar um acidente mortal em RV afeta a atitude e a motivação do trabalhador face à formação. Os resultados revelaram três conclusões fundamentais para quem concebe estratégias de formação:

A empatia como motor: Ser testemunha de um acidente virtual aumenta significativamente a atitude positiva em relação à segurança. Não se trata apenas de ver o acontecimento, mas da empatia associativa que se gera em relação à vítima virtual.

A importância do contexto: O impacto é muito maior quando o trabalhador tem informação prévia sobre a vítima (por exemplo, saber que tem família ou uma relação próxima com os colegas). A “humanização” do avatar eleva o envolvimento emocional.

Presença social: Quanto mais real e “presente” se sente o ambiente social na simulação, mais eficaz é a mensagem preventiva.

O que significa isto para o futuro da formação em SST?

Este estudo dá-nos pistas claras sobre como evoluir as nossas ferramentas de formação:

Menos “gore” e mais história: Não é necessário que o simulador seja visualmente violento; é mais eficaz que o utilizador se ligue à personagem que sofre o incidente.

Narrativas interpessoais: Introduzir storytelling sobre as relações entre os trabalhadores dentro da simulação pode ser mais poderoso do que a própria física do acidente.

Aumento da motivação: Os participantes que presenciaram acidentes de “colegas próximos” mostraram maior predisposição para aprender e reter posteriormente informação técnica de segurança.

Conclusão

A Realidade Virtual não é apenas uma ferramenta para praticar processos; é uma tecnologia de treino emocional. Se conseguirmos que o trabalhador sinta que a sua segurança protege não só a sua vida, mas também a de quem o rodeia, teremos dado um passo gigante rumo a uma cultura preventiva interdependente.

Na PrevenControl continuamos a explorar como estas evidências científicas podem transformar a formação para que seja não só mais tecnológica, mas sobretudo mais humana.

Tem interesse em integrar metodologias de RV baseadas no comportamento no seu plano de formação? Contacte-nos e falemos sobre como elevar a cultura de segurança da sua organização.

Contacta-nos

TAMBÉM PODES ESTAR INTERESSADO EM

Queres saber mais sobre Cultura de segurança?

Queres saber mais sobre Cultura de segurança?

Close Popup

Usamos cookies para mejorar la experiencia de usuario. Al aceptar el uso de cookies está de acuerdo con nuestra política de cookies.

 

Close Popup
Open Privacy settings