Cegueira probatória: a falsa sensação de segurança que pode custar caro

Há situações em que tudo parece estar bem: relatórios impecáveis, auditorias completas, procedimentos cumpridos. Mas, por trás dessa imagem, os riscos continuam a acumular-se. Invisíveis, ignorados ou mal compreendidos.

É isso que chamamos de cegueira probatória — quando as provas de que tudo está bem se tornam mais importantes do que procurar aquilo que realmente pode correr mal.

Um conceito com nome e impacto real

Desenvolvido por Drew Rae, o termo probative blindness alerta-nos para um erro frequente nas organizações: usar as atividades de segurança para validar uma crença de segurança, em vez de as usar para descobrir perigos reais.

Como se manifesta?

  • Investigações que só acontecem depois de um incidente
  • Análises de risco completas, mas mal direcionadas
  • Testes que se repetem até “dar bom”
  • Rituais de segurança que servem mais para cumprir do que para prevenir

O resultado? Uma cultura de segurança aparente, mas frágil. Uma sensação de controlo… que desaparece quando algo corre mal.

Exemplos que não podemos ignorar

  • Deepwater Horizon: testes críticos foram repetidos até darem resultados aceitáveis, ignorando sinais de perigo
  • Vaivém Columbia: evidências foram desvalorizadas em nome da continuidade operacional

Ambos os casos tinham indícios. Faltou olhar com espírito crítico.

O que podem fazer os líderes?

  1. Promover segurança psicológica
    Criar espaço para que as pessoas levantem dúvidas e partilhem o que realmente observam no terreno.
  2. Investir em formação técnica e crítica
    Análises mal feitas são perigosas. É preciso capacitar as equipas para lidar com complexidade e incerteza.
  3. Desafiar a conformidade cega
    As normas são importantes, mas não substituem a atenção ao contexto real.

A cultura da dúvida construtiva

As chamadas Organizações de Alta Confiabilidade (HROs) cultivam uma inquietação crónica. Estão sempre alerta. Questionam, escutam e aprendem com o dia a dia.

É essa cultura que precisamos promover: ver melhor, antes de fazer mais.

Porque deves ouvir este episódio?

  • Para reconhecer sinais de falsa segurança na tua organização
  • Para aprender com erros históricos e evitá-los
  • Para desenvolver uma liderança mais crítica, curiosa e preventiva

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